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segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Sociedade
Este país de que ninguém gosta...

Enquanto Porta e Soares se insultam, Vitorino e Durão se aproximam, Cardona e o Fisco de afastam e Cavaco e as presidenciais de calam, o país vai seguindo o seu destino. Triste? De certo. A bem dizer, não há nada que não nos aconteça. No desporto, continuamos a definhar. Na política, idem aspas. E a sociedade actual, reflecte simples e cruelmente esta lama toda. Não há meio de lermos colunas nos jornais e dizer bem de Portugal. E contra mim escrevo. Mas falar bem sobre quê? Sobre os excelentes condutores que somos? Sobre o cumprimento legal das nossas obrigações fiscais? Sobre o grande exemplo – o tal que deve vir de cima – dos políticos que temos actualmente? Desculpem. Não é cinzentismo exagerado. Portugal está de rastos e necessita rapidamente de um elixir de recuperação. Que venha o Verão, o sol, e talvez o Euro. A acompanhar, que venha também a tão almejada recuperação económica. Que regressem os aumentos. Que diminuam os saques governamentais aos parcos salários dos funcionários públicos. Que regresse alguma vontade de viver neste país. O tal que nos viu nascer e que agora definha acocorado pelas mazelas cortantes que o dilaceram diariamente. Até quando…?

Desporto
Afinal está tudo na mesma...

O parco verniz que lustrou o baço e grosseiro panorama futebolístico nacional, voltou a estalar. E com força. Passado que está o trágico episódio da morte de um atleta em campo, voltámos à triste realidade dos nossos dirigentes, atletas e demais convivas do proclamado desporto rei. Esta segunda feira, os jornais não deixavam margem para quaisquer dúvidas. Peguemos no exemplo do jornal a Bola que noticiava “Mourinho e FC Porto vão apresentar queixa-crime contra Eduardo Bettencourt”. Sobre o Guimarãres-Boavista, escrevia-se no mesmo jornal “Cenas lamentáveis em Guimarães - Cenário de terror num palco do europeu”. Nesta mesma segunda-feira, o Público noticiava também na sua edição “última hora” – “Governo reúne-se de urgência com a Liga Portuguesa de Futebol”. É o Portugal da bola no seu melhor. Se dúvidas restassem sobre o cínico oportunismo à volta da morte do futebolista húngaro, eis que se dissiparam rapidamente neste fim de semana. Regressaram as tragicomédias dos treinadores afectados, dos jogadores insubordinados e dos dirigentes malformados. E tudo neste país, o mesmo que irá receber dentro de escassos meses as principais equipas do futebol europeu. Tudo, mas mesmo tudo, foi posto em jogo. A credibilidade dos nossos dirigentes, o profissionalismo dos jogadores e a segurança nos estádios. Um fim de semana negro que obrigou o governo a tocar a campainha de emergência. Chamou os “meninos mal comportados” e deu-lhes um valente puxão de orelhas para que, futuramente, tais cenas não se repitam… até ao próximo jogo.

Sociedade
Grandes actores para palcos diferentes

O mediatismo que rodeou o futebol nos últimos dias – desde a televisão até aos jornais – só deu para comprovar o triste estado desta nação. Uma vez mais. De um lado, temos a catártica reacção à morte do jogador húngaro. No extremo oposto, situamos a tresloucada reacção do treinador do Porto acerca do jogo contra o Sporting e a não menos escandalosa pouca vergonha de jogadores e dirigentes e adeptos do Guimarães e do Boavista. Este último episódio, é agravado pelo facto de, numa só partida de futebol, ter deitado por terra tantas e tantas horas de promoção do futebol nacional por essa Europa fora. As imagens de cadeiras a voar, (escassos) polícias chamados a intervir de bastão em punho com dirigentes e jogadores quase a digladiarem-se dentro das quatro linhas, é por demais terceiro-mundista. E as televisões lá estavam. A filmarem o país real do futebol e não o cínico teatro que, os mesmo protagonistas, tinham representado uma semana antes.

Sociedade
Então e os homens do bacalhau?

Jorge Sampaio regressará esta quinta feira da visita oficial que tem estado a efectuar à Noruega. O presidente português, a convite dos monarcas escandinavos, deslocou-se ao país do bacalhau munido de um séquito de quase 70 pessoas. Qual não foi o meu espanto quando escutei na TSF um membro de uma associação de importadores e exportadores de bacalhau – recordemos que os portugueses representam o principal mercado deste peixe a nível mundial – queixar-se de não ter tido, sequer, conhecimento da referida visita de Sampaio à Noruega. Será, no mínimo, estranho que, sobre o produto que orça mais de 500 milhões de euros de importações da Noruega, não se faça representar nenhum industrial do ramo no tal séquito. Não entendi. Claro que, agora que a crítica veio para a praça pública, se vai esmiuçar a tal lista de colunáveis e “investidores” que acompanharam o presidente. Entre eles, lá ia o ex-vocalista dos Ena Pá 2000 e ex-candidato à presidência da República, Manuel João Vieira, agora apresentado como artista plástico. Por cá, os homens do bacalhau devem ter achado um piadão à ideia…


sexta-feira, janeiro 16, 2004

Desporto
Porto Fantástico, Sporting Revigorado e Benfica Desorientado

Os três grandes parecem encaixar nos adjectivos propostos. O FC Porto de Mourinho, continua a mostrar que, também por cá, é possível praticar bom futebol – pragmático, incisivo, quase demolidor. Pelo Sporting de Fernando Santos, luta-se por alguma dignidade perdida em tempos recentes. Os leões mostram-se agora mais confiantes, agressivos e conclusivos. No Benfica de Camacho, as coisa também não andam propriamente mal mas... as habituais desestabilizações do Benfica colocam tudo em jogo. O treinador já quase não aguenta tanta pressão e, de vez em quando, lá deixa escapar umas verdades como aquela em que afirmou que no Benfica não há dinheiro nem paciência. O homem lá sabe do que fala. Certo é que o campeonato está animado mas com uma forte liderança instalada. Mourinho não brinca em serviço mas, para o campeonato europeu, terá que rever as estratégias todas. Os novos dragões não podem jogar fora do campeonato nacional e Derlei – que tanta jeito daria - encontra-se lesionado. Mas tudo há-de arranjar-se. Para o bem do futebol nacional, ao menos o Porto – como vem sendo habitual – para nos proporcionar bons espectáculos desportivos por essa Europa fora.

Sociedade
Jovem! Vem para professor!

Já o escutei na TSF e, provavelmente, andará a passar noutras estações de rádio. É um anúncio referente a uma instituição privada de ensino superior que, pelo meio do texto publicitário, diz algo como “Portugal precisa de professores… e muitos!”, num apelo às inscrições nos cursos para a docência. É quase criminoso lançar para o ar uma ratoeira como esta. Só quem andar noutro planeta é que não sabe que, dos actuais 39.785 licenciados desempregados em Portugal, a sua grande maioria são professores. Já não basta a acéfala política do actual ministério da Educação em não cancelar as entradas na via pedagógica em tantas licenciaturas no ensino público, para agora ainda termos os pais aliciados a colocar os meninos numa privada qualquer a pagar um balúrdio (para quem pode, claro) num curso destinado a um rotundo fracasso laboral. Só no ano passado, engrossaram as fileiras dos “desempregados licenciados” quase 10 mil jovens mas, pelos vistos, isso não interessa nada. É preciso é que o menino ou a menina vá para o ensino superior trajar uma capa e batina para a delícia dos papás e fazer figuras nos cortejos académicos. O resto, essa coisa do emprego e vida futura depois do curso, logo se vê. Alguma cunha há-de arranjar-se para colocar o menino em qualquer lugar. Um conselho… se vão pagar balúrdios por propinas, paguem-nas, ao menos, num curso que tenha uma razoável saída no mercado de trabalho – em algumas áreas da saúde, por exemplo. Agora aliciar jovens e carteiras familiares para cursos “via de ensino” porque “Portugal precisa de professores… e muitos!”, só dá para rir de tanta idiotice descarada e calculista.

Sociedade
Referendo sobre...a queima?!

Já que estamos a falar de ensino, aqui vai mais uma achega para uma das mais lastimáveis prestações da Academia de Coimbra das últimas décadas. Então não é que os meninos de Coimbra ainda não meteram na cabeça que é preciso pagar propinas? Sabiam que estão a fazer um “referendo” sobre a realização da queima das fitas deste ano? Incrível! Andam mesmo neste país! O tal que não aumenta há dois anos os funcionários públicos que onerem mais de 1000 euros mensais, o mesmo que tem 40.000 desempregados saidínhos das universidades, o mesmo que continuamente vê as receitas públicas diminuírem, o tal que figura na cauda do desenvolvimento e crescimento na União Europeia. Mas nada disto importa – “O que a gente quer, é não pagar e mais nada!”. Agora, vêm com esta ideia peregrina de não realizarem a queima das fitas deste ano… mas o que é que isso interessa ao país? Quando muito, poderá interessar à Super-Bock ou às agências de espectáculos. Tenham dó. Luís Afonso, cartoonista do jornal Público, tem dedicado uma série de desenhos a esta luta ridícula e despropositada. Com a sua mestria e inteligência, tem abordado o assunto pelo único prisma por onde ser analisado: o anedótico. Já aqui escrevi o que acho sobre esta palhaçada. Não me quero repetir. É óbvio que ninguém gosta de pagar. É lógico que há muita, mesmo muita coisa mal nesta espécie de país. Mas daí até fazer finca-pé sobre pagamentos essenciais à parca economia nacional, vai muita distância. Já agora, aconselho os meninos de Coimbra, de preferência os que ostentam iconografia de uma esquerda dita revolucionária – seja lá o que isso for… - a protestar contra os seguintes pagamentos: portagens (as estradas estão uma lástima); taxas moderadoras (os hospitais andam num pântano); mensalidades das creches estatais (estão pela hora da morte); refeições nas cantinas universitárias (têm pouca variedade!!); e por aí fora. Assim, com um bocado de sorte, entre “manifs”, djambés e bolas de fogo, podem ser que se arrastem até aos quarenta lá por Coimbra à custa dos nossos impostos. ATENÇÃO: NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA !!. Segundo o site da TSF, “ Referendo diz «sim» à Queima das Fitas” - Cerca de 4.500 estudantes da Universidade de Coimbra, dos cerca de 5.800 que votaram no referendo para realização ou não da Queima das Fitas, pronunciaram-se pelo «sim» à iniciativa, revelou o presidente da Associação Académica.” E assim vai o Portugal dos Pequenitos…

Sociedade
Como é bom ser gestor público!

Se a anterior foi no cravo, agora vai uma na ferradura. Hoje, logo pela manhã, ao ler o meu Público, fiquei com a sensação de que, se calhar, tinha acordado na Suécia ou na Dinamarca. Ao ler que os gestores dos novos hospitais-empresa iriam ganhar mensalmente qualquer coisa acima dos dez mil euros – mais até do que o primeiro-ministro ou o presidente da República – ainda duvidei se estaria no país que, segundo dizem, só retomará economicamente lá para 2014. No seguimento desta notícia, logo outra perfeitamente surreal. Ao que parece, também os eurodeputados foram aumentados em 125% (!!!!) ficando, no caso português, a ganhar por mês bem mais do que o presidente da República. Pelos vistos, a tal moralização da função pública só chega à mó de baixo. É lógico que, para captar bons gestores privados para a coisa pública, os ordenados terão que ser substancialmente generosos mas… convenhamos, é que parece, inclusivamente, que, entre ajudas de custo, financiamento de automóvel (que pode ir até 45 mil euros!), cartão de crédito e outras regalias, até há gestores públicos a ganhar mais do que o que está consignado na lei. Queixaram-se? Nada disso. Calam-se bem caladinhos enquanto o resto do país definha. É inaceitável, e a auditoria do Tribunal de Contas assim o confirma que, ainda por cima, houve alguns gestores públicos que beneficiaram de chorudos prémios e mordomias que não correspondem nada aos resultados económicos das “coisas” que alegadamente gerem!Qual objectivos atingidos qual quê. Este é só mais um triste episódio deste país em que é premiada a incompetência e o despesismo público em tempos de crise. Pelo menos para alguns…

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Media
Parabéns SIC Notícias


A SIC Notícias comemorou três anos de emissões regulares. Para os assinantes de televisão por cabo, o canal da informação por excelência tem demonstrado ao longo destes três parcos anos como é possível fazer boa televisão em Portugal. O sensacionalismo tablóide que parece invadir de dia para dia os restantes canais de sinal aberto – excepção para a nova 2: devido à escola RTP – não tem lugar na informação da jovem SIC Notícias. Há quem discorde e julgue que os extensos directos e alargadas reportagens pesam negativamente no teor informativo. Não concordo. Se há um acidente grave no IP5, é óbvio que um canal de notícias deverá abordar o assunto de todos os pontos de vista. Afinal, é essa a essência da sua programação! Para além dos blocos noticiários, a SIC Notícias brindou-nos igualmente com excelentes programas de informação – como o “Conversa Afiada”; “60 minutos”; “Mar Portuguez”; “Panorama BBC” – que nos agarravam rapidamente evitando a monotonia do zapping. Em suma, parabéns à SIC Notícias pela televisão que noz faz chegar. É pena que esteja no cabo... merecia outra visibilidade.

Sociedade
“Sorria, está ser filmado!”


Esta é só mais uma daquelas que acontecem nos países em vias de desenvolvimento. Ao que parece, e segundo uma investigação do Diário de Notícias, a chamada “vídeo vigilância” não é legislada no nosso país. Devido a esta lacuna legal – é só mais uma entre muitas– qualquer pessoa que entre num qualquer edifício ou recinto que possua câmaras de vídeo, pode ser filmada sem qualquer tipo de restrição. O pior, é que não sabe onde irão parar as imagens nem o que poderão fazer com elas. A Comissão Nacional de Protecção de Dados, e ainda segundo o DN “não tem autorização para fiscalizar a instalação da videovigilância em prédios e condomínios se as câmaras estiverem a fazer apenas a vigilância doméstica”. Como se não bastasse a praga dos telemóveis com máquinas fotográficas, agora sabemos também que, legalmente, tudo e todos podem ser filmados em qualquer lugar onde esteja o aviso “Sorria, está a ser filmado!”. É que, pelos vistos, até nas serras e áreas verdes protegias as referidas câmaras estão instaladas. Está mesmo a imaginar-se o casalinho que escolheu o Pinhal para “conversar acerca da vida” mas que está a fazer as delícias de um qualquer guarda que monitoriza as câmaras... é um “big brother” desautorizado.

Sociedade
"A Dois", a RTP2, a "Dois", a 2, ...

Graficamente agradável e vestida de novos conteúdos, ela aí está, “A Dois”. A velhinha RTP2 deu lugar ao novo canal das parcerias. Numa rápida vista à página oficial do novo canal, mais parece termos entrado no site oficial do Sporting tal é a profusão do verde. Mas está muito agradável. E no ecrã, a cor ainda resulta melhor. Relativamente à nova programação, confesso que, do que vi, ainda nada me espantou de efectivamente diferente do anterior canal. No novo “Magazine”, por exemplo, Anabela Mota Ribeiro ainda tem muito que pedalar para se assumir como dona e senhora de um espaço tão ambicioso. É assim um bocado como lembrarem-se de colocar Alberta Marques Fernandes neste canal… uma outra jornalista com um low-profle equilibrado com Carlos Fino ficaria bem melhor. Para já, palmas para o cumprimento dos horários e para a “meia hora” de notícias a partir das nove da noite. É bom saber que, em escassa meia hora, podemos dar a volta ao que de mais importante se passou no dia e assim prescindirmos dos tablóides que vão para o ar nos outros canais às oito da noite. Um último reparo ao nome do novo canal… qual é a piada de escrever o novo canal “A Dois”? Porque não, somente, “Dois”. Enfim, é só um pormenor mas que dá cabo da cabeça aos títulos dos jornais.

Sociedade
Quando é que a novela acaba?

“Então não é que o Carlos Cruz tem uma cicatriz no pénis? E sabiam que o Paulo Pedroso fez uma operação para tirar um sinal do corpo? E o álbum de fotografias que andam a mostrar aos miúdos? Consta que até Jorge Sampaio e o cardeal de Lisboa por lá andam!!” – quem é que disse que o novo ano traria mais serenidade ao caso da pedofilia? Muito pelo contrário. O histerismo e o sensacionalismo tablóide tomaram conta de todo o processo. Jorge Sampaio bem pode vir a público apelar à tão aclamada serenidade – cai tudo em saco roto. O processo caminha vertiginosamente para a escandaleira pública e os “segredos de justiça” saem ao ritmo dos noticiários das oito. E até quando? Acabámos 2003 a falar sobre isto e, ainda mal começou 2004, já a chafurdeira está de novo ao rubro. Até ao fim do processo – esperemos que não kafkiano – muito ainda há-de poluir os jornais e a opinião pública. O que é certo, é que está cada vez mais difícil destrinçar onde acaba a novela e começa a vida real.

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Sociedade
Ainda a questão das escutas...

Como se não bastasse o clima de total inépcia que recai sobre o nosso sistema judicial, o advogado José António Barreiros acusou agora a Polícia Judiciária (PJ) de não destruir os registos das escutas telefónicas que tem em seu poder. O advogado alcunha até a PJ de "polícia de informações". No estado em que andam algumas instituições deste país, com cunhas e amigalhaços espalhados um pouco por todo o sistema, estamos já a imaginar que para determinadas pessoas - aquelas que geralmente se safam sempre -, caso tenham algum conhecido na PJ, com um bocado de sorte e um agente menos zeloso das suas funções, até consegue ter acesso a registos antigos de uma tal conversa que teve acerca de um tal assunto. Nem a PJ merece tal desconfiança, nem tal procedimento deveria ser possível. Mas, a confirmarem-se as suspeitas do advogado, a não destruição das escutas e o seu "acesso facilitado" a determinadas fontes, deturpa o já de si, encrencado sistema judicial. Quando é que estas coisas acabam...?


Sociedade
Cavaco a primeiro ministro

Não morrem de amores um pelo outro. Muito menos se imaginaria que se apoiassem fosse no que fosse. E aí está mais uma prova. Marcelo Rebelo de Sousa, entende que a "solução natural" do centro-direita para Belém, passa por Cavaco Silva. Lá vão os sonhos de Santana Lopes... Se o antigo primeiro-ministro resolver candidatar-se, a esquerda terá que dar uma volta a todas as estratégias para as presidenciais. O prestígio, a aura de competência e a honorabilidade de Cavaco Silva, estão muito acima da actual estirpe de políticos e da politiqueira nacional. Pessoalmente, até acho que Cavaco deveria era candidatar-se a primeiro-ministro. Um homem com a sua experiência e pragmatismo, é decerto subaproveitado numa cadeira alegórica como a de presidente da República. Aliás, esta faceta do professor universitário até pode jogar contra a sua eventual candidatura a Belém. Para presidente, os portugueses costumam gostar de uma pessoa mais afável, pouco interventiva e geradora de consensos. Ora, Cavaco Silva é um operacional. É um homem de acção, do terreno, nada instalado no satus quo presidencial quase monárquico. Vamos esperar. Por esta altura, digladiam-se as teses e teorias sobre mais este tabu. Volto a escrevê-lo... seria muito mais bem vindo como primeiro ministro.

Sociedade
Continua a novela "Casa Pia"

As recentes novidades que vieram à praça sobre o processo Casa Pia - um sai e entra de Jorge Ritto, um comunicação inenarrável de Carlos Cruz e mais umas visitas em conjunto ao DIAP - já pesam pelo desinteresse que vão acumulando na opinião pública. O advogado de Carlos Cruz, aproveitando os holofotes das câmaras, até já chantageia o juiz Rui Teixeira sobre a não permissão do seu cliente ir passar a noite de consoada a casa com a família. Enfim. É um vale tudo. Fosse Carlos Cruz o Xico Zé da esquina, e nada disto seria mediaticamente possível. Independentemente da quadra que atravessamos, os arguidos do processo em causa estão sob suspeita de crimes horrendos. Ritto, já assumiu que, afinal, era homossexual mas que só teve parceiros acimas dos 16 anos. E os outros... quando começam a assumir alguma coisa? A confirmar-se a sua inocência - e no caso do apresentador televisivo há como que um desejo íntimo de muita gente para que isso seja verdade - Portugal deverá passar a página e esquecer este episódio escabroso. Se estão culpados - se não todos, pelos menos alguns - que o processo se desenvolva mais rapidamente! Se não, como muito bem ilustrava um recente cartoon em que se dizia que, "Esperemos que Saddam não seja julgado em Portugal... é que o caso ainda pode prescrever!", o processo Casa Pia arrisca-se, tal como a montanha, a parir um rato. E é precisamente isso que os advogados de defesa pretendem.

Desporto
FC Porto com os lisboetas à perna

E pronto! Aí está a prova de como a jogar mal, se vai subindo na tabela do futebol da primeira liga nacional. À hora a que escrevo estas linhas, ainda não sei o resultado do Alverca-FC Porto, mas o que é certo é que os dois e três pontos que separam os nortenhos dos rivais de Lisboa -isto, se o FCP perder com o Alverca - animam o topo da tabela. Mas não se julgue que é devido ao equilíbrio entre o futebol praticado pelas três equipas! O FCP destaca-se a léguas com um futebol corrido, pragmático e eficaz contra o entorpecimento do Sporting ou o aflitivo Benfica. Era com que esta classificação aparentemente equilibrada reflectisse o mesmo equilíbrio entre as equipas. Vamos ver depois do Natal quem se aguenta...

segunda-feira, dezembro 15, 2003

Sociedade
A Guerra Civil das nossas estradas

A Agência Europeia de Segurança (AES) ditou o veredicto: Portugal lidera a lista europeia das vítimas mortais de acidentes de viação. A corroborar esta trágica conclusão, a DECO confirma que, por dia, morrem cinco pessoas nas estradas portuguesas. Logo depois de nós, como habitualmente, está a Grécia, outro bonito exemplo... Analisando friamente os números e não caindo em excessivos determinismos, poderá dizer-se que os condutores dos países menos desenvolvidos são os que pior conduzem. Já aqui escrevi vezes sem conta sobre o problema. Muitos dos jovens entre os 20 e os 24 anos deste país, parecem ter o destino marcado com uma ribanceira ou com um rail de protecção. É por demais evidente que tudo está mal quando se fala neste assunto. A sinalização rodoviária é muitas vezes criminosa, o traçado de muitas das nossas estradas também não ajuda mas, acima de tudo, o bom senso e a inteligência dos nossos condutores é que é proporcionalmente inversa ao acelerador - quanto mais aceleram, menos propensão têm para dar um uso condigno à massa encefálica que alegadamente possuem. Envergonham-me estes números. Envergonha-me este país. Custa-me sair de cá e, ao vislumbrarem a matrícula do carro, troçarem da nossa condução. Basta conduzir durante escassos minutos num qualquer IP ou IC deste país para depressa assistirmos a excessos de velocidade, uso indevido de faróis de nevoeiro (a maior parolice deste país), manobras perigosas e um perfeito egoísmo suicidário ao volante do género "Acelera-me isso ou eu ultrapasso-te já!". É o costume. E ao volante vai, geralmente, um desses acéfalos de vinte e tal anos que se julga o Schumacher da Buraca. Mal ele sabe que, ao conduzir assim, a sua esperança média de vida na estrada é tão curta...

Sociedade
Vira o disco...

O novo presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), Miguel Duarte, já fez saber que uma das suas "batalhas" será a de demonstrar à opinião pública que a luta dos estudantes é coerente e realista. Pois. Começamos bem. O jovem quer dizer-nos, se calhar porque anda na "universidade", que nós, a tal opinião pública que se desmancha diariamente em críticas à política do cadeado que agora abunda por Coimbra, estamos redondamente enganados. Mais! O jovem Miguel Duarte, se calhar porque anda na "universidade", julga-se mais iluminado que todos nós e, vai daí, está disposto a "explicar-nos" a razão de tanto cadeado e viagens a Lisboa. Sinceramente, ainda acreditei que a deposição do extinto Hugo Salgado viesse trazer alguma serenidade e inteligência à direcção da AAC. Enganei-me. Mudou o cromo mas a cartilha continua a ser a mesma. Infelizmente. É patético vermos que até a ameaça da não realização da queima das fitas passou perfeitamente ao lado da tal opinião pública, mas os "jovens universitários" ainda acreditam que tal ameaça assusta alguém. E se não houver queima? Não há. Qual é o problema. É da maneira que o orçamento de muitas famílias deste país não se desequilibra tanto.

Sociedade
A bagunça do Governo ou do PS?

Foi em Montalegre que o secretário-geral do PS, Ferro Rodrigues, se saiu com mais uma das suas habituais pérolas:"o primeiro-ministro terá, no próximo ano, de pôr ordem na "bagunça" do Governo". Vindo de quem vem, até parece anedota. O por enquanto líder do maior partido da oposição - ou o que dele resta - deu mais um tiro no pé, como habitualmente. Não é preciso ser um profundo conhecedor da parca realidade política deste país para concluir que o PS "também" anda numa "bagunça". Profundamente traumatizado após a novela Pedroso/Casa Pia, e agora abalado com o caso do Governo regional dos Açores, Ferro olha em frente e esquece-se no estado em que tem o PS. Se é certo que Durão terá que remodelar - urgentemente - alguns titulares do seu executivo, também não deixa de ser verdade que Ferro terá que, calma e pacientemente - porque estas coisas levam o seu tempo... - reorganizar as baterias das bases de apoio que lhe restam dentro do partido socialista. Em suma... uma lástima. É assim que temos o país político.

Desporto
Zidane melhor do mundo pela terceira vez

O galáctico Zinedine Zidane, 31 anos, voltou a arrecadar o prémio que A FIFA criou em 1991. O jogador francês já o ganhou por três vezes - primeiro em 1998 (França campeão do Mundo), a segunda em 2000 (campeã europeia) e agora em 2003, Zidane é eleito, pela terceira vez, o melhor jogador do ano. No seu nível, só mesmo o brasileiro Ronaldo merece tantas palmas por parte da FIFA. E não se julgue que esta escolha é efectuada por computador ou por outro método mais científico. Nada disso. É feita por 142 seleccionadores que escolhem os seus três melhores jogadores do ano, excluindo, obviamente, jogadores das suas respectivas selecções. Só o Real Madrid contou com mais três nomes que constam nos mais votados: Roberto Carlos (quinto lugar, 105 votos), Raúl (oitavo, 39) e Figo (11.º, 27). Trabalho acrescido para Queiroz, treinador do Real... com tantos prémios e votações, eles têm mesmo que mostrar trabalho.


sexta-feira, novembro 21, 2003

Media
Praça da Alegria...

Há já uns tempos que ando para escrever sobre a epopeia da “Praça da Alegria”, programa quase jurássico da RTP1. Depois dos tempos idos de Manuel Luis Goucha – mais do que arrependido, certamente, na TVI – a dupla Jorge Gabriel e Sónia Araújo parecem ter conseguido levar o barco a bom porto. As audiências não baixaram, como vaticinavam os adeptos de Goucha, mas, muito pelo contrário, as manhã da RTP competem directamente com as manhãs da SIC deixando a TVI muito atrás. É certo que um programa essencialmente destinado a donas de casa e reformados terá que primar pelos interesses do seu público alvo. Um bom entrevistador é imprescindível e, nesse aspecto, Jorge Gabriel só confirma o que realmente se suspeitava desde que começou as suas lides na televisão – ele é, efectivamente, o melhor entrevistador e conversador da televisão nacional neste tipo de emissões. Com um humor certeiro e nada desbocado, com a intervenção certa na hora certa, com a simpatia profissional de quem sabe manter uma boa conversa, Jorge Gabriel é o rei da Praça. Pronto. Esta é a parte boa. Agora o pior. Sónia Araújo evoluiu bastante e, afinal, sempre sabe fazer mais do que rir e dançar mas, a verdade seja dita, se não é Jorge Gabriel a suportar a sua “actuação”, quem seria Sónia Araújo? Pior mesmo, só a substituta modelo-apresentadora Merche Romero. Coitada da rapariga. Completamente deslocada – como sempre, mesmo no inenarrável “Portugal no Coração” – Romero ri. Ri. Ri. Dança. Ri. Dança. Ri. E dança novamente. E depois... ri! Pelo meio, vai lançando umas frases soltas e mais batidas do que as músicas de Marco Paulo do género “Palmas para ele!”, “Heia, mais palmas para elas!”, “Isso merece palmas!”, e por aí fora. Coitado de Jorge Gabriel que tem que suportar estes adereços. Romero veste-se como se fosse apresentar o Top Mais mas, afinal, está num programa em que tem que falar (aturar?) idosos, artesãos ou representantes de Associações Culturais. Para disfarçar o incómodo, a menina lá vai largando uns despropositados risos, mas do que ela gosta mesmo, é de olhar para a câmara e pensar... “Sou mesmo boa nisto!” Depois, temos outra parte má, mesmo muito má, nesta Praça... é a banda. Ou pelo menos, o conjunto de músicos que tentam tocar alguma coisa sem desafinar muito. O maestro tem a mania que sabe cantar (é de bradar aos céus!) e os músicos têm queda para o desastre. E para finalizar, quem é que meteu na cabeça do produtor ou realizador do programa que aquela gente toda a dançar atrás dos cantores, fica bem em televisão? Mais parece uma desorganizada aula de “step” em directo. Olham todos para o chão para não desacertarem o passo e os cromos são sempre os mesmos. Ressalvo, uma vez mais, o papel ingrato do apresentador principal que, muito sinceramente, merecia melhor. Já que o programa é um ícone da estação pública, que tal renová-lo de uma forma mais inteligente?

Media
De jipe novo pelo Iraque...

A história rocambolesca acerca do rapto e ferimento de dois jornalistas portugueses no Iraque, tem sido alvo das mais variadas opiniões mas, lendo as mais concertadas – as dos jornalistas com grande experiência de campo – depressa se conclui que, tanto a jornalista da SIC como o da TSF, primaram por algum amadorismo incauto que poderia ter acabado bem pior. Mário Rui de Carvalho - operador de câmara português da CBS com larga experiência na cobertura de "teatros de guerra" e co-autor do agora publicado "Por dentro das guerras"- racionalmente apontou o dedo aos erros cometidos pelos jornalistas portugueses no Iraque. É óbvio que a adrenalina do exclusivo e o aproveitamento mediático e financeiro, pesam de um dos lados da balança. Mas, por outro lado, os jornalistas envolvidos parecem ter cometido erros primários para quem vai para um teatro de guerra como o do Iraque. Ostentar uma viatura TT novinha em folha num país daqueles e, ainda por cima, recheado de jornalistas endinheirados – como muito bem referiu Mário Carvalho, visto que os bandidos sabem que os jornalistas trazem sempre dinheiro consigo porque por ali os cartões não funcionam – é por demais atractivo para todo o tipo de saques e raptos. Repare-se que a tentativa de fazer de Maria João Ruela (SIC) uma heroína, depressa foi desmontada depois de se saberem os erros cometidos pelos jornalistas envolvidos – a começar pelo desrespeito sobre os conselhos dos corpos de segurança presentes. Em suma, foi à portuga que os jornalistas entraram. Felizmente que a história ficou por ali sem consequências de maior e com um grande susto para os envolvidos. Para o futuro, pensem em frequentar um desses cursos norte-americanos de repórteres de guerra para não caírem de novo em erros tão primários.

Sociedade
"Ora aqui vai mais um cadeado..."

Já aqui escrevi sobre o que penso acerca da propalada “luta contras as propinas”. Ainda este fim-de-semana, Luís Afonso publicava no Público um excelente cartoon em que uma mamã a bordo de uma limusina ordenava ao motorista privado para se apressar porque o menino tinha que ir para a “manifestação contra as propinas”… brilhante. Afonso, por parcas palavras e muita inteligência no lápis, publicava o que muitos de nós pensamos. É óbvio que, pelo meio de tantos queques e betinhos de classe alta e média alta, há realmente estudantes com muitas dificuldades para pagar o valor fixado pelos estabelecimentos de ensino superior onde estudam. Contudo, como já aqui escrevi, esses, provavelmente, andarão mais interessados em conseguir um part-time onde conseguir mais uma ajuda financeira para o pagamento. O que se tem passado em Coimbra é assustadoramente pernicioso. O presidente daquela Associação, empolado pelas câmaras de tv e flashes das máquinas, adora o mediatismo da coisa. Surge sempre inebriado com a “luta”, aparentemente dá tudo pela “luta” e, acima de tudo, gosta da “luta”! Acha piada aos cadeados e aos embudes e cultiva aquele ar de “enfant terrible” num patético mimetismo da luta dos estudantes de outros tempos. Como muito bem escreveram Pacheco Pereira ou José Manuel Fernandes, que seria deste país se, de um momento para o outro, toda e qualquer organização ou instituição resolvesse fechar a cadeado as suas portas como forma de pressão? Certamente que as forças policiais seriam chamadas à cena mas, como são estudantes universitários, coitados, deixem-nos lá fazer o que querem. O grito “Não pagamos” já cheira mal. Já pensaram quantas e quantas famílias pagam – e não é assim tão pouco – para, por exemplo, conseguir colocar uma criança num infantário estatal? E se eu agora resolvesse fechar a cadeado o infantário do meu filho acenando um cartaz “Não pago”? Também é estatal e, ainda por cima, também tenho uma propina! Claro que me sabia bem não pagar. Aliás, tudo seria mais fácil se não pagássemos nada! O Estado de Providência que funcionasse e pronto. O assunto estava resolvido. Patéticas. É assim que encaro as defuntas manifestações destes “estudantes”. Sim, porque alguns deles já têm idade para largar os bancos da Faculdade e, parafraseando Kennedy, passarem a fazer algo pelo país em vez de esperarem sentados ou em manifestações que o país faça alguma coisa por eles…

Desporto
Ao menos a Selecção...

A prestação da selecção nacional de futebol anda a desesperar os portugueses. O seleccionador, do alto da sua arrogância e humor desbocado, tem contribuído ainda mais para agravar a situação. O recente empate com a selecção grega foi a gota de água que fez transbordar a paciência dos “convocados”. É verdade que Luis Figo não merecia os apupos por ter falhado a grande penalidade e o apelo de Pauleta nos jornais de segunda feira foi esclarecedor – “Não nos enterrem”. É confrangedor vermos jogadores desta estirpe mal tratados pelos que mais os deviam apoiar. Mas Pauleta, Figo, Ricardo e todos os outros, também devem entender que os portugueses andam ansiosos por algo que lhes corra bem. É o tal efeito catártico que tão bem sabe à moral que anda na mó de baixo. Já no jogo com o Koweit, a coisa disfarçou um bocado. Pudera, colocar jogadores da alta roda profissional de futebol contra amadores, é no que dá. Resumindo, se Scolari até tem alguma razão quando refere que muitos não andam só insatisfeitos com a selecção, mas com a vida, também não deve esquecer-se que é esta mesma selecção que pode (e deve) dar algum ânimo aos tais que andam tão por baixo. E por favor, esqueçamos o episódio Baía. Já todos sabemos que o seleccionador teve semelhante estratégia com Romário lá pelo Brasil. E foi campeão do mundo. Pode ser que por cá o fim da festa lhe dê alguma razão...

domingo, novembro 02, 2003

Sociedade
Boas novas, precisam-se!

Num país que se apresenta aos olhos internacionais como um verdadeiro case-study a vários níveis – pedofilia, corrupção, crise económica, poder dos media, etc -, mais parece que os envolvidos em tais cenários nada estão interessados em despir tão desonrosas vestes. O governo, vai dando provas evidentes de desorientação e perigoso experimentalismo em várias áreas: ministros demitidos, outros que o deveriam ser e uma manifesta falta de tacto para transmitir aos portugueses o que, efectivamente, está a fazer para nos tirar deste lodo. A justiça, essa, é motivo de desacreditação de dia para dia. Os mediáticos casos como a Casa Pia, a Universidade Moderna, os agentes da Brigada de Trânsito, entre outros, comprovam que o sistema judicial deste país está pejado de incompetência, fugas de informação e xico-espertismo saloio só possível num terceiro mundo. Para abrilhantar o bolo, temos a cereja que corresponde ao inenarrável poder que os media – o tal quarto poder – assumem neste país. Os intermináveis noticiários das oito que acabam quase às dez da noite, reflectem a tabloidização pura do jornalismo nacional. Se a RTP resiste aqui e ali à tentação, a SIC arrasta-se mimeticamente em relação ao modelo TVI – ou seja, faca e alguidar com muito sangue, desgraça e escandaleira à hora de jantar, é o que o povo gosta. Com um cenário como este, não admira que um pouco por toda a Europa – não esquecendo a colaboração da TIME norte americana – se elaborem autênticos tratados jornalísticos sobre a desgraça em que este país se afundou. E o que fazem os envolvidos? Aparentemente, nada. O governo assobia para o ar e entretém-se com a ausência de oposição, os tribunais enroscam-se em episódios tenebrosos de inoperância e os media chafurdam na lama numa espécie de concurso para ver quem desce mais baixo. Saídas? Infelizmente não se antevêem a curto prazo. Para já, era bom que os principais actores desta novela sul-americana começassem a mentalizar-se que, para limpar a péssima imagem que reflectem, deveriam por mãos à obra. Exemplos? Casos judiciais como a Casa Pia têm que dar frutos rapidamente; as televisões têm que regressar à sobriedade factual de uma informação cada vez mais mal tratada e o Governo tem que começar a entender que o país, no estado em que está, também precisa de boas notícias. Nem que sejam quase insignificantes. Em época de depressão, qualquer coisa positiva é bem vinda...

Sociedade
"15 estações do correio fecham no distrito"

A notícia que fazia a capa do Nova Guarda na passada semana só vem confirmar o desprezo displicente e descarado que os sucessivos governos têm manifestado em relação ao interior deste país. Há muitos anos que as assimetrias pesam negativamente para o lado oriental deste rectângulo. Vivemos numa triste época em que as localidades do interior só são notícia quando fecha mais uma escola primária, quando se entrevista o octogenário resistente na aldeia quase deserta ou quando se descobrem fenómenos mais ou menos escandalosos como o da prostituição no nordeste transmontano. É triste. É triste ver que as cidades do litoral, pejadas de gente aos encontrões numa vida desenfreada e carente de qualidade, parecem ser as únicas alternativas para os “jovens do interior”- como tanto gostam de rotular os jornais. É triste ver que os sucessivos governos e potenciais agentes de desenvolvimento, encarem o interior deste país como algo a esquecer ou a menosprezar. Fecham-se escolas, encerram-se serviço públicos e vendem-se aldeias. E parece ser este o futuro de tantos e tantos lugares deste interior. A irracionalidade e frieza calculista dos órgãos dirigentes do Terreiro do Paço, assim o ditam. Não dá lucro, fecha-se. E os poucos habitantes que por vá vivem? Ignoram-se. Que emigrem ou que vendam a casa e venham para o litoral. Chegámos a esta tristeza. O país demite-se dos seus deveres e faz letra morta sobre os cuidados que deve ter com os seus cidadãos. O encerramento dos estabelecimentos dos CTT em 15 localidades deste distrito, é só mais uma prova desta atitude imoral e calculista. É mais fácil fechar e obrigar esta gente a calcorrear quilómetros para enviarem a carta para o filho que, provavelmente, andará por Lisboa ou pela Suíça. E se andam por lá, é porque foram praticamente expulsos das terras em que nasceram. Aquelas mesmo que hoje são terras abandonadas. Sem escolas. Sem festas. Sem comércio. E sem correios.

Política
E que tal um petróleozito?

A recente visita do primeiro ministro a Angola, para além da festa habitual, revestia-se de uma missão que Manuela Ferreira Leite bem deve ter incumbido a Durão Barroso – o pagamento da dívida astronómica de 2,2 biliões de dólares que o estado angolano deve a Portugal. É que, para além de ser completamente ignorada e engrossada há muitos anos, esta dívida está longe de ser paga. O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, através de elaboradas estratégias de fuga ao pagamento, tem ludibriado sucessivos governos portugueses sobre esta matéria. E como há-de resolver-se a questão? Muito simples. Pagando. É óbvio que a guerra civil de três décadas em nada ajudou. É óbvio que Angola necessita da ajuda internacional. Mas é também evidente que o governo angolano tem que meter mãos à obra e democratizar o país. Tem recursos naturais preciosíssimos como ouro, diamantes e petróleo. Implementar uma gestão racional e controlada de todas estas riquezas, trará um futuro melhor a este povo tão maltratado. E se não pode pagar a dívida, pelo menos, que trate Portugal como trata a França ou os Estados Unidos da América – com respeito. A consciência de ex-colonizadores que ainda parece pesar em algumas cabeças dirigentes deste país, só contribui para agudizar o complexo de culpa que em nada abona esta relação com Angola. E do lado angolano, só têm que negociar formas de pagamento como as que têm negociado com outros países – dinheiro ou petróleo. Agora, elaborar estratégias de pagamento que passam por décadas de bonificação de juros, perdões sucessivos e envolvimento de bancos portugueses para pagarem a dívida a Portugal (????) – sim, parece que o Governo angolano quer que sejam bancos portugueses a emprestarem dinheiro a Angola para assim, pagarem a Portugal – é que não lembra ao diabo! É uma questão moral. E se Angola não têm, efectivamente, capacidade de pagar e Portugal capacidade de reaver o dinheiro, deixemo-nos de fitas. Ao menos, que Portugal esqueça os milhões mas exija a Angola uma melhor gestão dos recursos que tem em prol do seu povo. E não em prol dos tais que gostam destas negociatas...

Sociedade
Continuamos a morrer nas estradas

Com as primeiras chuvadas dignas desse nome acompanhadas de forte ventania, dispararam os acidentes rodoviários no nosso país. A gravidade dos acidentes é cada vez maior apesar de, em alguns meses, até se denotar uma ligeira quebra no seu número quando efectuada a comparação com anos anteriores. Os acidentes ocorridos nos centros urbanos têm tido um aumento preocupante no número de mortos causados. Os aceleras de fim de semana, aproveitando a menor intensidade de tráfego durante o sábado e domingo, tendem a carregar no pedal e fazer das avenidas autênticas pistas de corridas de automóvel. Segundo a Brigada de Trânsito, comportamentos como o excesso de velocidade, consumo de álcool, circular sem cinto e falar ao telemóvel, continuam a justificar muitas destas mortes. Eu acrescentaria uma outra que, apesar de ser muito pouco registada, é certamente causadora de muitos acidentes por essas estradas fora: o consumo de drogas.



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